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O Backlog de Denúncias que Pode Destruir sua Reputação

Você já parou para calcular quantas denúncias estão paradas e ignoradas na sua empresa neste exato momento?

O problema não está apenas na quantidade. O que mais preocupa é a sensação de que a área de compliance já não dá conta de responder à demanda e, ainda pior, de que o rigor metodológico virou um obstáculo à ação.

Entre os manuais, guias e boas práticas, esquecemos um fator que pesa cada vez mais: o tempo. As denúncias se acumulam, os prazos estouram, a confiança escoa. E quem paga essa conta é o gestor que precisa se explicar ao board.

Entre a metodologia e a urgência

Sabemos o que os livros dizem: toda investigação deve seguir etapas bem definidas, com due process, cadeia de custódia, entrevistas estruturadas, evidências documentadas. Mas no mundo real, o canal de denúncias virou uma verdadeira bomba-relógio.

No mundo real, a área de compliance não tem um time dedicado somente à apuração. O orçamento encolheu, mas o volume de relatos explodiu. O prazo para resposta virou uma cobrança direta do conselho. E, nesse cenário, seguir à risca o manual virou um luxo que poucos podem bancar.

Mas então o que fazer? Devemos abandonar o rigor? Ignorar as boas práticas? De forma alguma. Mas é urgente encontrar modelos mais ágeis, seguros e proporcionalmente eficazes para lidar com a realidade no horizonte. Porque o problema não é apenas metodológico, ele também é estratégico.

Compliance não vive só de investigar

Outro ponto ignorado por quem cobra celeridade é que a apuração não é e nunca foi a única função da área de compliance.

São dezenas de frentes de trabalho: treinamentos, políticas, gestão de terceiros, due diligence, comitês de ética, riscos de integridade, interface com jurídico, auditoria, relatórios, normativos e, claro, cultura. E tudo isso com recursos cada vez mais escassos e metas cada vez mais agressivas.

O que sobra para lidar com os relatos? Geralmente, muito pouco. Principalmente por que a energia dedicada em apurar é muito grande. É por isso que, infelizmente muitos casos ficam meses (ou até anos) sem resposta. E quando estouram, vêm com juros altos e impacto forte: denúncias reincidentes, conflitos internos, investigações externas e perda de reputação e credibilidade.

A confiança também tem prazo de validade

As empresas que já entenderam essa dinâmica têm buscado ajuda externa para dar vazão ao backlog. Criaram frentes emergenciais com times capacitados, que atuam com agilidade, confidencialidade e método, mas com foco na resposta real, não na perfeição teórica.

Não se trata de “zerar a fila”. Trata-se de reorganizar, priorizar, executar e restaurar a confiança nos canais e na área.

Porque o maior risco não é o número de denúncias paradas. O maior risco é o que esse silêncio representa: a percepção de que a empresa não escuta, não age, não se importa.

E esse é o tipo de dano que nenhuma metodologia é capaz de conter.

Sobre o autor

Vinicius Cassimiro Carvalho é fundador da Kassy Consultoria, especialista em investigações corporativas, compliance e governança. Com mais de 17 anos de experiência na área, liderou projetos estratégicos em grandes organizações e hoje atua apoiando empresas a estruturarem respostas efetivas a crises de integridade e desafios operacionais. Também é fundador da Democratizando, palestrante e professor convidado em cursos e eventos sobre ética, conduta, privacidade e liderança com propósito.

📩 Contato: vinicius@kassyconsultoria.com.br

🔗 LinkedIn: linkedin.com/in/viniciuscarvalho1

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