Pesquisa Nacional Sobre Investigações Corporativas, Diligência e Riscos de Integridade – 2026
As estruturas de compliance e integridade evoluíram significativamente nos últimos anos. Canais de denúncias, códigos de ética, políticas corporativas, comitês e processos de diligência já fazem parte da realidade de muitas organizações.
Mas uma nova pergunta começa a ganhar importância:
Essas estruturas conseguem funcionar com a mesma consistência quando a organização é efetivamente colocada à prova?
Foi a partir dessa reflexão que a KASSY Consultoria desenvolveu a Pesquisa Nacional sobre Investigações Corporativas, Diligência e Riscos de Integridade, um levantamento voltado a compreender como essas atividades estão sendo operadas por profissionais que convivem diariamente com decisões relacionadas a investigações, riscos, terceiros, compliance, tecnologia e governança.
O estudo reuniu 47 respondentes e 161 campos analisados, trazendo uma leitura sobre estrutura investigativa, capacidade operacional, diligência, tecnologia, inteligência artificial, competências profissionais e a agenda de riscos para os próximos anos.
Os resultados indicam um mercado em transição.
A infraestrutura básica de integridade já está presente em parcela relevante das organizações. O próximo estágio de maturidade, entretanto, dependerá cada vez mais de governança, independência, capacidade operacional, qualidade metodológica, tecnologia e rastreabilidade das decisões.
Estruturar a área não significa necessariamente possuir capacidade investigativa
Um dos primeiros dados relevantes da pesquisa mostra que 61,7% dos participantes afirmam que suas organizações possuem uma área formalmente estruturada para investigações corporativas.
O avanço é significativo.
Entretanto, quando observamos a capacidade instalada dessas estruturas, surge outro cenário: 70,2% das respostas indicam equipes de apenas uma a três pessoas diretamente dedicadas às investigações.
A diferença entre estrutura formal e capacidade operacional merece atenção.
Investigações corporativas exigem análise documental, entrevistas, planejamento, preservação de evidências, avaliação de dados, documentação de decisões e elaboração de conclusões que muitas vezes servirão de base para medidas disciplinares, decisões jurídicas ou mudanças de controles.
Ter uma área formalizada é importante.
Mas maturidade exige que essa estrutura possua capacidade compatível com o volume e a complexidade dos casos que precisa administrar.
O principal gap pode estar na governança das próprias investigações
Talvez um dos achados mais relevantes da pesquisa esteja na comparação entre a infraestrutura geral de integridade e os mecanismos especificamente relacionados à governança investigativa.
Elementos gerais — como código de ética, canal de denúncias, comitês e políticas — apresentam presença média de 76,6% entre os participantes.
Quando a análise se concentra em mecanismos específicos de governança das investigações, a presença média cai para 33,8%.
A diferença é de 42,8 pontos percentuais.
Esse resultado sugere uma questão importante para as organizações: parte relevante do mercado pode ter desenvolvido muito bem a infraestrutura de entrada dos programas de integridade, mas ainda precisa evoluir na infraestrutura necessária para decidir, investigar, preservar evidências e demonstrar como as conclusões foram alcançadas.
Alguns exemplos ajudam a compreender essa diferença.
Enquanto entrevistas estruturadas estão presentes em 85,1% das respostas e relatórios finais padronizados em 76,6%, mecanismos como revisão de qualidade aparecem em 29,8% e cadeia de custódia em apenas 21,3%.
A execução parece avançar mais rapidamente do que a camada de controle e defensabilidade do processo.
Em outras palavras, o desafio deixa de ser somente investigar.
Passa a ser também conseguir demonstrar que a investigação foi conduzida de maneira consistente, independente e metodologicamente defensável.
Backlog e prazos revelam uma pressão operacional relevante
Outro aspecto importante está na capacidade das equipes.
A pesquisa mostra que 61,7% dos participantes convivem com algum nível de backlog.
O mesmo percentual — 61,7% — indica que uma investigação leva, em média, mais de 30 dias.
Entre equipes de até três pessoas, a incidência de backlog chega a 66,7%.
Esses números não devem ser interpretados isoladamente como sinal de baixa maturidade.
Investigações possuem diferentes graus de complexidade. Uma apuração envolvendo dezenas de entrevistas, dados transacionais, dispositivos eletrônicos e análise documental não pode ser comparada diretamente a um caso simples de violação de política interna.
O ponto relevante está na necessidade de conectar complexidade, capacidade e priorização.
SLAs únicos para casos diferentes podem criar incentivos inadequados. A busca por velocidade, quando desconectada do risco e da profundidade necessária, pode comprometer documentação, análise e qualidade das conclusões.
Por isso, estruturas maduras tendem a exigir segmentação de casos, critérios objetivos de prioridade e capacidade flexível para absorver picos de demanda.
Diligência já faz parte da rotina — mas a maturidade ainda é desigual
A pesquisa também analisou como as organizações estão conduzindo seus processos de diligência de terceiros.
78,7% dos participantes afirmam que suas organizações realizam diligência.
Apesar da ampla adoção, somente 42,6% classificam a maturidade desses processos com notas 4 ou 5.
O dado sugere que o desafio está migrando da existência da diligência para a qualidade do modelo utilizado.
Processos judiciais, relacionamento político e PEPs, estrutura societária, integridade e corrupção e listas de sanções aparecem entre os aspectos mais analisados.
Mas uma diligência madura não deveria funcionar apenas como uma consulta de bases.
Seu papel é apoiar uma decisão.
Isso exige considerar criticidade do terceiro, contexto da contratação, sinais de alerta, profundidade proporcional ao risco, alçadas de aprovação, critérios para tratamento das red flags e, quando necessário, monitoramento contínuo.
O objetivo deixa de ser produzir o maior relatório possível e passa a ser produzir uma decisão mais informada e rastreável.
A inteligência artificial já entrou no fluxo de trabalho
Se existe um tema capaz de alterar rapidamente a forma como investigações e áreas de integridade trabalham, ele é a inteligência artificial.
A pesquisa mostra que 44,7% dos participantes já utilizam IA em suas áreas.
Outros 14,9% estão realizando testes e 19,1% estão avaliando a tecnologia.
Somadas, essas categorias representam 78,7% da amostra.
Entre as aplicações mais mencionadas estão apoio à redação, resumo de documentos, organização de informações e cruzamento de informações.
A adoção, entretanto, vem acompanhada de preocupações relevantes.
Confidencialidade, uso inadequado de dados pessoais, erros factuais ou alucinações e falta de governança estão entre os principais riscos percebidos.
Essa combinação mostra que a discussão sobre IA nas áreas de compliance e investigação precisa avançar rapidamente da experimentação para a governança.
Quais informações podem ser processadas?
Quais ferramentas podem ser utilizadas?
Como validar respostas?
Como registrar o uso da tecnologia?
Quais decisões exigem necessariamente revisão humana?
Em ambientes investigativos, nos quais dados sensíveis e decisões sobre pessoas fazem parte da rotina, essas perguntas deixam de ser apenas tecnológicas e passam a ser questões de governança.
A agenda de riscos está ficando mais complexa
Os participantes também foram convidados a avaliar quais temas deverão ter maior relevância nos próximos dois anos.
No topo aparecem:
- Inteligência artificial aplicada;
- Fraudes digitais;
- Crime organizado e infiltração nas empresas.
Na sequência surgem temas como PLD/FTP, diligência de terceiros, assédio e conduta, monitoramento contínuo e governança das investigações.
O padrão revela uma mudança importante.
As fronteiras entre compliance, investigação, gestão de riscos, segurança, inteligência, tecnologia e prevenção à lavagem de dinheiro tendem a ficar cada vez menos claras.
Uma fraude digital pode envolver terceiro, identidade falsa, transações financeiras, evidências eletrônicas e crime organizado simultaneamente.
Por isso, a capacidade futura das organizações dependerá menos de disciplinas funcionando isoladamente e mais da possibilidade de conectar dados, riscos e decisões.
Os maiores gaps profissionais aparecem justamente onde a demanda deve crescer
Quando a experiência atual dos participantes é comparada com a relevância futura dos temas, aparecem diferenças importantes.
O maior gap identificado pela pesquisa está entre experiência em Forense Digital/eDiscovery e relevância futura das Fraudes Digitais: 55,5 pontos percentuais.
Em inteligência artificial, a diferença é de 54,5 pontos percentuais.
Em PLD/FTP, são 37,3 pontos percentuais.
Esses indicadores não significam falta de capacidade dos profissionais.
Eles apontam para algo diferente: a demanda por determinadas competências pode estar crescendo mais rapidamente do que a experiência atualmente instalada na amostra.
É também um sinal para empresas e profissionais sobre onde estarão algumas das principais agendas de desenvolvimento dos próximos anos.
O que caracteriza um profissional preparado para esse novo ambiente?
Curiosamente, apesar da crescente importância da tecnologia, as competências consideradas mais relevantes pelos participantes não são exclusivamente técnicas.
Discernimento ético, análise crítica e inteligência emocional ocupam as primeiras posições.
Capacidade analítica em diligências, gestão de conflitos e comunicação executiva também aparecem com elevada importância.
O resultado ajuda a colocar a tecnologia em perspectiva.
Ferramentas podem ampliar capacidade analítica e produtividade.
Mas decisões relacionadas à integridade continuam exigindo interpretação, julgamento, equilíbrio, compreensão de contexto e capacidade de comunicar conclusões em ambientes de conflito e incerteza.
O profissional do futuro provavelmente precisará combinar três dimensões:
rigor ético, capacidade analítica e domínio crescente de tecnologia e dados.
Da existência dos controles à capacidade de fazê-los funcionar
A leitura consolidada da Pesquisa Nacional da KASSY aponta para uma mudança de fase.
O mercado já construiu parte relevante de sua infraestrutura de integridade.
O próximo estágio será mais exigente.
Não bastará demonstrar que existe um canal, uma política, uma diligência ou um processo de investigação.
Será necessário demonstrar que essas estruturas conseguem produzir decisões consistentes, evidências rastreáveis e aprendizado organizacional.
Isso significa fortalecer governança e independência, desenvolver metodologia, administrar capacidade operacional, incorporar tecnologia com segurança e conectar investigações e diligências à gestão de riscos e à prevenção.
A maturidade deixa de ser medida apenas pela quantidade de controles existentes.
Passa a ser medida pela capacidade de fazê-los funcionar quando a organização realmente precisa deles.
Acesse a Pesquisa Nacional da KASSY
A Pesquisa Nacional sobre Investigações Corporativas, Diligência e Riscos de Integridade reúne o conjunto completo dos indicadores, análises, gráficos e perspectivas sobre a evolução dessas práticas.
O relatório apresenta dados sobre:
- estrutura e independência das investigações;
- governança e metodologia investigativa;
- backlog, capacidade e prazos;
- diligência e riscos de terceiros;
- tecnologia e inteligência artificial;
- competências profissionais;
- riscos emergentes;
- agenda de evolução para 2026–2028;
- Índice de Estruturação Investigativa — IEI.
O estudo foi desenvolvido para apoiar profissionais, lideranças, comitês e organizações na comparação de práticas, identificação de gaps e definição de prioridades para o fortalecimento de suas estruturas de integridade.
Clique aqui para acessar gratuitamente a Pesquisa Nacional da KASSY
Sobre a metodologia
O levantamento recebeu 47 respostas entre 22 de junho e 4 de agosto de 2026 e analisou 161 campos.
A amostra é intencional e não probabilística. Por esse motivo, os resultados representam a experiência dos participantes e não devem ser interpretados como estimativas estatisticamente representativas de todo o mercado brasileiro.
Sobre a KASSY Consultoria
A KASSY Consultoria apoia organizações na condução de investigações corporativas, gestão e apuração de denúncias, due diligence de terceiros, estruturação de programas de compliance, governança corporativa, gestão de riscos e desenvolvimento de capacidades para lidar com situações empresariais sensíveis.
Nossa atuação combina técnica, independência, confidencialidade e visão prática para apoiar empresas, lideranças, conselhos e comitês na prevenção de riscos, apuração de fatos e tomada de decisões mais seguras.
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